Textos

Problemas enormes com bolsas irrisórias – Estudantes cabo-verdianos no Senegal

Dakar, 12 de Fevereiro de 2009

Com bolsas de estudo manifestamente insuficientes e, para cúmulo, em atraso, os estudantes cabo-verdianos no Senegal queixam-se de estar a viver graves dificuldades. Os estudantes recebem uma bolsa no valor de 6500 escudos, que não lhes chega para pagar a alimentação, a habitação, os livros e os cuidados com a saúde.

Dizem os estudantes cabo-verdianos no Senegal que o problema não está na falta de assistência diplomática: a embaixada tem sido incansável e faz o que pode. O problema está na Praia, onde o Governo (em particular, o Ministério da Educação) parece alheio aos problemas que eles enfrentam.

Fazem saber que os problemas surgem quando os estudantes descobrem que se dirigem ao Senegal para frequentar um curso e, muitas vezes, acabam por ser encaminhados para um curso diferente. Por outro lado, o aprendizado da língua (francesa), que exige um ano de ensino preparatório, ser insuficiente para frequentarem com êxito cursos como o de Direito ou de Medicina.

As condições dos estudantes cabo-verdianos no Senegal são mais que precárias. As casas alugadas pelo Ministério da Educação para os acolher, apesar de pequenas, albergam dezenas de alunos: o dinheiro que recebem não chega para mais.

Os estudantes cabo-verdianos em Dakar reclamam a atenção do Governo da Praia. E querem que sejam dadas respostas que atendam aos seus problemas.

 

Senegal, um pedaço da África Profunda

Nos despertamos cedo para percorrer as cidades,no seu espaço, na sua agitação,nos seus mercados, formamos parte das idas e voltas quotidianos, caminhamos pelas ruas e observamos as pessoas a trabalhar. Assistimos a festas e eventos e conhecemos algo mais da sua cultura. Mas rapidamente queremos deixar a cidade porque desejamos descobrir a África que nos tem contado,a solidão da savana ou da linguagem dos apassiveis animais que descansam na beira das águas quando bate o calor. Então tomamos um caiaque para entrarmos em alguns destes lugares de beleza natural inimagináveis, não importa que seja na Casamance, no Delta do Saloum, no litoral, nos Parques Nacionais ou no rio Senegal no norte, qualquer destes paraísos nos oferecerá o que andamos a procurar.

Partimos com todo o nosso equipamento de aventura e nos surpreende que nos sobra tudo. Podemos alimentarmos unicamente da beleza e alguma outra cosa que sempre encontramos ao passo. A uma distância prudente queremos imortalizar o sol no seu auge quando de repente uma águia pescadora se lança à água sobre a sua presa, o sol tinge de prata as suas plumas enquanto se desenha perante os nossos olhos uma paisagem indecifrável de tons amarelos, vermelhos fogo e laranjas, que tingem as águas de rosa.

O Senegal, com as suas tradições vivas e a sua hospitalidade, onde a palavra “teranga” (bem vindos), está sempre presente no rosto dos seus habitantes, é uma boa alternativa para entrar em contacto com a África mais profunda.

   

“Rally París Dakar”

Um dos acontecimentos turísticos por excelência do Senegal é o Rally París-Dakar. Trata-se de uma prova de resistência e destreza para pilotos e motores durante 21 dias atravessando 10.200 quilómetros e oito países. Desde que em 1978 um grupo de franceses aventuraram-se a este recto, o rally começou a atrair aos mais importantes pilotos do mundo. Os emblemas das grandes marcas decoram os veículos dos participantes. Carros, caminhões, motos e numerosos veículos de apoio conformam a caravana. Alguns desagradáveis acidentes têm posto a cara negra deste espetacular rally.

A prova de 1994 foi a ínica vez em que o rally foi de ida e regresso a París. Devido a queixas do maire de París, o final teve de ser movido dos Campos Elíseos para o parque da EuroDisney. Isto levou a organização a escolher rotas distinta nos anos seguintes:

  • 1999: De Granada a Dakar
  • 2000: De Dakar ao Cairo (Egipto)
  • 2001: De París a Dakar
  • 2002: De Arras, no norte de França (160 km de París), por Madrid, a Dakar
  • 2003: De Marselha a Sharm el Sheikh (Egipto)
  • 2004: De Clermont-Ferrand a Dakar
  • 2005: De Barcelona a Dakar
  • 2006: De Lisboa a Dakar
  • 2007: De Lisboa a Dakar
  • 2008: Cancelado por motivos de segunrança
  • 2009: O trajecto ainda está em estudo.

O pecurso muda a cada ano (já variou de 8,5 mil Km a 15 mil Km).

Contudo, a competição tem sido criticada por pessoas que consideram o rally uma afronta ao continente africano. eles acusam os organizadores de usar como cenário da corrida um continente extremamente pobre, mascado pelas epidemias e fome.

 

Ao Nível da Educação:

O Sistema de Educação do Senegal é totalmente baseado no sistema francês, tem a mesma organização.
A Educação no Senegal vive, até hoje, as consequências de o país ter abraçado as políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, no final da década de 1970. O sector público recebe poucos investimentos e conta com um número limitado de professores.
O Senegal é um país onde muitas pessoas têm menos de 20 anos, e há muitos jovens em idade escolar.  Deve-se levar em consideração o facto de que o país tem uma história de colonização importante. Depois da independência, em 1960, houve um momento em que a educação pública se desenvolveu bem, quando havia escolas para as crianças.
No entanto, não tinha escolas, e ainda não tem, na zona rural e nas periferias das cidades.

A construção de novas escolas parou. Depois, eles pararam de formar novos professores. Quando os antigos professores se aposentaram, não havia novos profissionais para substituí-los. Nos anos de 1980, existia só um professor para três turmas de cem alunos: de manhã, de tarde e de noite. Com isso, aconteceram muitas reprovações. O exame de selecção para se entrar na escola passou a ter 80% de reprovação.
Para o Banco Mundial, já era bom 20% das crianças passarem. Porque o número de vagas era limitado e como não havia muitas escolas, eles achavam que esse sistema de selecção era bom. O sector público, como consequência, foi se desvalorizando, porque os professores iam para as escolas privadas. A mesma situação pode ser encontrada nas faculdades, onde uma classe que deveria ter 300 alunos tem 500.

Ao nível da educação, para o conjunto do Senegal, o índice de analfabetismo dos adultos eleva-se a 67 % em 1995, un dos mais altos do mundo, com 77 % entre as mulheres e 57 % entre os homens. Esta fragilidade do índice de alfabetização dos adultos e de escolarização dos jovens (26,2 % para o sexo masculino e 19,2 % para o sexo feminino) deve ser confrontada à falta de eficácia do sector da educação, pois, segundo a Revista das despesas do sector de educação, com 4,2 % do PIB, as despesas com a educação no Senegal são 50 % mais elevadas do que os seus vizinhos da África do Oeste, enquanto que estes beneficiam do índice bruto de escolarização mais performático. Apesar de uma nítida melhora da parte do orçamento concedido à educação desde a independência de 1960, que o Senegal continua a ser um dos  países mais fracamente escolarizados da África do Oeste com 5. mais fracamente escolarizados da África do Oeste com 58%  das crianças em idade de ir à escola.

Os mais baixos índices são registados em Diourbel, Tambacounda e Louga, com a escolarização inferior a 35%. A outra extremidade que constituem Dakar e Ziguinchor está distante com os índices que chegam perto dos 90%. Existem disparidades entre os meninos e as meninas que são mais ou menos marcantes segundo a região considerada. O índice de escolarização das meninas é fraco, representa apenas 40% do total. Além disso, 47% da população com idade entre os 0 e os 15 anos é deixada de lado. O efectivo do ensino elementar passou de 611.000 alunos em 1986/87 para 738.500 em 1992/93 (índice de crescimento de 5%), mas ao mesmo tempo, o índice de aprovação no exame de ingresso ao secundário está estagnado em 20%. Se as pessoas idosas e as mulheres são muito mais atingidas pelo analfabetismo que os homens (82% entre as mulheres contra 63% entre os homens), as pessoas idosas (entre os 50 anos e mais) são analfabetas em mais de 80%. Existe igualmente uma outra diferença entre a localidade urbana ou não. Com efeito, as zonas urbanas são dotadas das infraestruturas favorecendo o avanço da alfabetização. A análise do orçamento da educação ressalta que as despesas para os salários e os repases sociais estão próximos dos 96%, se bem que apenas 4% são consagrados às despesas do investimento e de funcionamento. Como resultado, temos um défice importante nas infraestruturas e nos equipamentos escolares. Além da fragilidade dos meios colocados à disposição do sistema educativo, um outro factor a favor do baixo nível de escolarização , é a arbitragem favorável ao trabalho infantil. Com Efeito, a família raciocina a curto prazo e tenta maximizar os seus rendiemntos. Ao invés de financiar os estudos das crianças, pede-se que estas trabalhem e traguem algo susceptível para aumentar os rendimentos finais de cada mesa.

 

Fonte:

http://www.uneca.org/aisi/nici/country_profiles/Senegal/senegab.htm, captado a 6 de Maio de 2008

http://www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/senegal/senegal-4.php, captado a 6 de Maio de 2008

http://images.google.pt/imgres?imgurl=http://img481.imageshack.us/img481/6669/dakar3006jk.gif&imgrefurl=http://rallytt.blogspot.com/2007/11/histria-do-rally-dakar-remonta-1977-ano.html&h=372&w=300&sz=23&hl=pt-PT&start=2&um=1&tbnid=TiNPo2_tq6vExM:&tbnh=122&tbnw=98&prev=/images%3Fq%3Drally%2Bdakar%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT, captado a 12 de Maio de 2008

http://www.portugalzone.com/noticias/senegal-16-pessoas-mutiladas-por-homens-armados-em-casamance.shtml, captado a 2 de Junho de 2008

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